Conjunto Época de Ouro propaga no disco 'De pai pra filho' o legado de Jacob do Bandolim e Jorginho do Pandeiro


Em cena há 55 anos, grupo apresenta repertório inédito em álbum que inclui tributo a Pixinguinha. Em 1964, o músico Jacob do Bandolim (1918 – 1969) deu contribuição fundamental para a revitalização do choro ao fundar o conjunto Época de Ouro. Jacob morreu cinco anos depois, abalando (mas não matando) o grupo.
Reagrupado em 1972, o Época de Ouro continuou em cena e, entre idas e vindas, celebra 55 anos de vida com a edição de álbum, De pai pra filho, que propaga o legado de mestres como Jacob e Jorge José da Silva (1930 – 2017), o Jorginho do Pandeiro, músico falecido há dois anos que manteve o conjunto atuante após a morte de Jacob.
Neste primoroso disco de músicas inéditas posto no mercado fonográfico pela gravadora Kuarup, o Época de Ouro tem a formação apresentada em dezembro de 2017 e constituída por Antonio Rocha (flauta), Celsinho Silva (pandeiro), João Camarero (violão de sete cordas), Jorge Filho (cavaquinho), Luiz Flavio Alcofra (violão de seis cordas) e Ronaldo do Bandolim (bandolim).
A produção do álbum é assinada por Celsinho Silva e Jorge Filho, irmãos, filhos de Jorginho do Pandeiro. A propósito, o título De pai para filho é justificado no disco pela forma como o conjunto difunde a herança do Época de Ouro – sem qualquer intenção de modernização do choro – e pela própria composição do repertório. A música que dá nome ao CD, por exemplo, é parceria de Jorge Filho com o pai, Jorginho do Pandeiro.
Capa do álbum ‘De pai pra filho’, do conjunto Jacob do Bandolim
Divulgação
O repertório é dominado pelo choro. Entre o sacolejo de Bola na rede (Juvelino Maciel) e a vibração de Bolinha de cristal (Juvelino Maciel), destaque do repertório, o Época de Ouro exprime a melancolia de Outonal – choro da lavra de Cristovão Bastos – e a dolência lírica de Três Marias, contribuição do excepcional violonista João Camarero para o repertório do álbum De pai pra filho.
Como o choro é também (e sobretudo) uma forma de tocar, até a valsa Luz divina (Antonio Rocha) soa chorona no toque virtuoso do Época de Ouro. Pilar do choro, Pixinguinha (1897 – 1973) é celebrado ao fim do disco com Mestre Pixinga, efervescente polca de autoria de Antonio Rocha.
A homenagem faz todo sentido no disco, já que Pixinguinha é um dos pais não somente do choro, mas de toda a música brasileira. E, nessa nobre dinastia, Jacob do Bandolim e Jorginho do Pandeiro também descendem de Alfredo da Rocha Vianna Filho. (Cotação: * * * * 1/2)
Categoria: Pop & Arte

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